15 de abr de 2009

Um Sopro de Vida no Combalido Rock dos Anos 80

Estava andando pela rua quando de repente eu me vi perdido em Abbey Road...
Era assim que os roqueiros brasileiros estavam naquele início da nova década, a de 80. A disco music estava indo embora, mas havia deixado danos quase irreparáveis. Cadê o rock brasileiro? Os memoráveis shows do Tereza Rachel, no Rio, estavam escassos. Não havia mais o Joelho de Porco, o Made estava sumido, Rita Lee havia mudado de ares musicais, os Novos Baianos estavam partindo do Farol da Barra. Enfim, era triste a cena para quem curtia um bom rock brasilis.

Eis que de repente, no Jornal Hoje, ouve-se a notícia que um grupo novo, de Minas, ia fazer show de lançamento de seu LP, no Teatro dos Quatro (sic). Este não era o local mais indicado para um show de rock. Mas alguns membros do grupo valiam o ingresso em qualquer lugar: Flávio Venturini e Sergio Magrão, ambos ex-O Terço. Os outros membros, Vermelho e Hely Rodrigues vinham do Bendegó, e Claudio Venturini, irmão mais novo de Flávio, vinha tocando com Lô Borges. Era o 14 Bis que chegava, apadrinhado por Milton Nascimento

Foi uma estréia nervosa. O teatro estava lotado naquele quente mês de Março de 1980. Todos queriam saber se o grupo era uma releitura d’O Terço ou trazia uma nova mensagem. E, é claro, todos estavam lá para ver e ouvir Flávio e Magrão e seus belos duetos vocais. Na platéia estava Sergio Hinds, do Terço, animado com as versões que seriam apresentadas do repertório de seu grupo.
Flávio começou sozinho, ao piano, tocando a bela abertura instrumental, trazendo aos poucos os outros integrantes. As comparações com 1974 (do "Terço"), foram inevitáveis. A música, interpretada perfeitamente, encaixou como uma luva em Criaturas da Noite, a primeira do Terço a levar a platéia ao delírio.

Mas a grande surpresa estava nos “clássicos” que o 14 Bis começou a tocar. Na verdade, as músicas de seu disco de estréia. Eram belas canções que mesclavam rock, com country, com valsa, resultando na platéia toda de pé, a cada música tocada. As influências de cada membro da banda eram sentidas, como o lado mais roqueiro de Claudio Venturini, os "sopros de Beatles" por parte de Flavio e Magrão (sem contar do próprio "Terço"). As "raízes tradicionais mineiras" eram evidentes em Vermelho e Hely. O grupo nasceu grande e arrebatou o público

2 comentários:

Gleidson disse...

Eu e o 14 BIS esse amor já mais vai acabar
vai ser pra sempre..músicas que tem o dom
de me transportar...vamos juntos e misturado..rsrsrsr...Abração galera!!

Vânia Siqueira disse...

Migo... legal essa matéria.... Como eu já disse uma vez... O FCAP também é cultura...

Abração à todos do FCAP